Maestros Marcos Sadao Shirakawa, Roberto Farias e Abel Rocha falam sobre os 25 anos da Banda Sinfônica

Em 1989, o trombonista Marcos Sadao Shirakawa foi um dos músicos aprovados para a primeira formação da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. Como músico, Shirakawa se aprimorou tocando vários concertos importantes e, principalmente, conhecendo novos repertórios para Banda durante 16 anos. Em 2009, tornou-se regente assistente e, desde 2010, assumiu o cargo de diretor artístico e regente titular da Banda Sinfônica. “É um sonho poder contribuir com a história e o crescimento da Banda do Estado, considerada uma das melhores da América Latina e do mundo”, comenta o maestro.

 

Em outubro de 2014, a Banda comemorou o aniversário de seus 25 anos! Confira entrevista com três dos maestros que estiveram à frente do grupo: Marcos Sadao Shirakawa, Roberto Farias (fundador da Banda) e Abel Rocha.

 

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Marcos Sadao Shirakawa

 

Para você, quais os principais acontecimentos dessa trajetória?
O grande marco da Banda foi sua profissionalização em 1989, depois o reconhecimento internacional com a participação na Conferência da Wasbe (World Associaton Symphonic Band and Ensebles), na Áustria. Em termos musicais, tivemos vários concertos muito importantes com regentes, solistas e grupos eruditos e populares, mostrando toda a versatilidade de uma Banda Sinfônica.

 

Uma das missões da Banda, desde seu surgimento, é aumentar o repertório para este tipo de formação. Como você avalia esta produção?
A produção de um novo repertório para banda, principalmente de compositores brasileiros, está indo muito bem. Cresce a cada ano o interesse de novos compositores e temos conseguido levar essas composições para o exterior. E, neste ano, que esta sendo um ano de comemorações, fizemos a estreia de nove composições de brasileiros, argentino e venezuelanos. No concerto de 23 de novembro, teremos a estreia mundial de uma composição de André Mehmari, batizada de Variações em Guarani para Banda Sinfônica.

 

Para você, qual a importância da Banda como referência para Bandas Sinfônicas de outras cidades?
Podemos dizer que a Banda Sinfônica do Estado é a única profissional no Brasil, o que aumenta a nossa responsabilidade, pois, como referência, temos que apresentar o melhor em termos de repertório e novidades nos espetáculos. Muitos músicos que atuam em outras bandas têm como objetivo tocar com a gente.

 

Quais as perspectivas para os próximos 25 anos?
Queremos continuar contribuindo com a literatura musical, com a formação de novas bandas profissionais e aumentar a importância da Banda Sinfônica na história da música, porque essa formação completa só existe a menos de um século.

 

Maestro Roberto Farias Audit Ibirapuera (abril2009)

Roberto Farias

 

Qual a importância da Banda Sinfônica na sua carreira?

A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo é seguramente o primeiro organismo sinfônico do gênero profissional do país. No que pese ocorrências anteriores com essa a denominação de banda sinfônica, porém vinculadas às atividades militares, é ela que historicamente vem consolidar esse importante meio de expressão musical com vida própria. Ter sido o interlocutor junto ao Governo do Estado de São Paulo do seu projeto de profissionalização, me concede o referendo de destaque no cenário nacional e internacional na difusão da linguagem dessa modalidade instrumental, que coloca o país em consonância com os grandes centros musicais do mundo.

 

Como você vê o crescimento da Banda durante esses 25 anos?

A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo surgiu na cena musical do país como uma proposta inovadora, nunca antes vista no Brasil, que é a difusão da música de concerto originalmente concebida para esse tipo de formação instrumental (sopros e percussão com piano e contrabaixos), com ênfase na música do século XX. Tem como um dos seus principais vetores o Incentivo à Criação Musical Brasileira, por meio de encomenda de obras aos mais renomados compositores brasileiros contemporâneos, reunindo em seu contexto as mais variadas tendências estéticas, que a levaram a frequentar espaços nunca antes imaginados para esse tipo de expressão musical. Com o passar dos anos, diferentes olhares, não menos competentes, conduziram o grupo a outras vivências musicais que, muito embora logrando grande êxito de realização, acabaram por distanciá-la do seu projeto original, que aos poucos vem sendo retomado. Inegável o crescimento técnico do grupo, hoje capaz das mais ousadas produções, respaldado por uma estrutura funcional e institucional significativamente superior da que dispunha em sua primeira década de existência.

 

Qual foi o principal marco da Banda no tempo em que você a regeu?

A possibilidade de impulsionar o novo repertório brasileiro para banda sinfônica e o reconhecimento nacional e internacional, comparecendo com distinção a eventos de grande envergadura como a XX Bienal de Música Brasileira Contemporânea no Rio de Janeiro e a 8ª Conferência Mundial de Bandas Sinfônicas na Áustria (1997), cujo êxito garantiu-lhe a seleção para participação na 9ª Conferência na Califórnia, Estados Unidos (1999).

 

Quais são seus desejos para os próximos 25 anos da Banda Sinfônica?
Que a Banda Sinfônica se consolide como a principal referência brasileira e latino-americana em seu segmento e restabeleça a sua condição de um dos mais importantes organismos do gênero no cenário internacional.

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ABEL ROCHA

 

Qual a importância da Banda Sinfônica na sua carreira?
Nos seis anos que fiquei à frente da Banda Sinfônica, e graças ao apoio da Secretaria de Cultura,  dos músicos e da administração, pude propor programações diferenciadas e um perfil de gestão cultural que tivesse muito a minha cara. O desenvolvimento de projetos nas áreas de ópera, cinema, teatro musical, balé, a organização de repertórios pouco usuais para formação da banda sinfônica, o conceito de compositor residente, enfim, diversas novas propostas de realização artística para o grupo puderam ser colocadas em prática. Também a gestão das rotinas de ensaio implantadas, programações, assinaturas, séries de concertos e outras rotinas de caráter administrativo/artístico foram aplicadas. Todas essas ações, efetuadas em parceria com uma equipe muito ágil e compromissada, ajudaram a desenvolver minha visão de gestor artístico paralelamente ao trabalho especificamente musical.

 

Como você vê o crescimento da Banda durante esses 25 anos?
Após 25 anos, aquele grupo jovem transformou-se num aglomerado de excelentes profissionais, com características artísticas várias, diversas e complementares, fato esse que oferece à Banda como um todo uma maleabilidade musical única.

 

Quais são seus desejos para os próximos 25 anos da Banda Sinfônica?
A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo tem uma característica muito importante de ser um dos organismos que mais gera composições originais novas. Obras muito interessantes dos mais diversos compositores brasileiros que criaram nesses 25 anos um acervo gigantesco, uma joia da cultura nacional. Na época em que estive frente do grupo, fizemos vários esforços para criar uma editora que se responsabilizasse pela edição, impressão, gravação, venda e distribuição tanto de CDs quanto das próprias partituras. Isso ajudaria a levar a cultura brasileira para o mundo inteiro, pois o mercado de bandas sinfônicas é muito forte e esse repertório seria muito bem-vindo em todas as partes do mundo. Ficaria muito feliz de ver a banda sinfônica ter uma editora própria com as obras realizadas pelo grupo disponíveis para todo mundo.